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Metadesign
(por Caio Vassão, pesquisador GPD/FAUUSP)
Inicialmente, metadesign foi área de ensino e pesquisa na FAUUSP. Conta com longa história dotada de interpretações diversas quanto ao seu papel na metodologia de projeto e conceitualização. Desde de sua origem na Escola de Ulm até a biologia de Maturana e Varella, passando ainda pela abordagem da critica sócio-cultural em Virilio, e na apropriação de mercado, com a empresa de mesmo nome, de Spiekerman.
Caio Vassão em sua tese de doutorado, organiza o Metadesign em três abordagens projetuais bastante fecundas na atualidade, cada abordagem contando com muitos praticantes, mesmo que não sob a denominação “Metadesign”:
Níveis de Abstração – adotada da Teoria dos Sistemas e da Filosofia Analítica, apresenta-se como modo genérico e instrumental de lido com a complexidade; relativizada pela Filosofia Pós-Estruturalista, ganha matizes menos
instrumentais, como aquele promulgado por Morin.
Projeto Indireto e Emergência – abordagem de projeto em que os resultados não decorrem diretamente e imediatamente dos esforços criativos, mas passam por circuitos sociais, culturais, tecnológicos e políticos mais amplos, resultando em
entidades relacionadas apenas indiretamente ao esforço inicial; muito praticada nas artes e design gerativos, em que os objetos de projeto são sistemas que em si criam outras entidades, podendo essas mesmas serem outros sistemas; assim
como no urbanismo, em que a legislação urbana é vista como metaprojeto da cidade.
Diagramas e Topologia – desde a década de 1960, sabe-se que o projeto de entidades complexas não pode ser desenvolvido sem a adoção de Técnicas Diagramáticas de visualização de processos, a complexidade o exige; adotar princípios da Topologia e da Teoria dos Grafos é uma abordagem bastante fecunda, desde a Psicologia Transacional, até o Projeto e Gestão de Redes de Telecomunicação.
O Metadesign dispõe uma série de abordagens para o lido com a complexidade. Mas, de maneira mais geral, o termo
Metadesign tende a indicar um viés de considerações ainda assim bastante pertinentes quanto à sociedade tecnológica e da informação. Diversos encaminhamentos de pesquisa são viáveis: desde o mapeamento de conceitos e técnicas diagramáticas de projeto e pensamento, até o projeto por meios computacionais avançados, com produtos derivados da programação e não do desenho. Ainda, áreas com Engenharia Social, Gestão de Projeto, Gestão do Design, Teoria dos Sistemas, dentre outros, têm muito a beneficiar-se do pensamento e projeto norteados pelo Metadesign. Autores como Virilio, Maturana e Varella, Giaccardi, dentre outros, utilizam o termo Metadesign para especificar uma forma de lido com sistemas de grande
complexidade e potencialmente dotados de propriedades emergentes.
Há 14 anos
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