quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Trabalhos Apresentados nos Seminários

Todos os trabalhos apresentados nos seminários estão disponíveis para download e consulta nos links abaixo.

Seminário 1 - Águas Urbanas
Seminário 2 - Agricultura Urbana
Seminário 3 - Parques Urbanos
Seminário 4 - Mercado

Os seminários serão avaliados e comentados por cada um dos professores da disciplina, e à partir dos comentários faremos referências aos links de alguns trabalhos indicados acima.

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2 comentários:

Simone Cortezão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Simone Cortezão disse...

Caros (as) Estudantes,

Parques urbanos talvez seja o tema mais difícil de ser trabalhado num curso de arquitetura, já que sempre estamos programando ações e rotinas, o ideal de vida feliz é sempre organizado pelos arquitetos. No texto Animações Culturais, Vílem Flusser aponta que estamos condicionados ou em função de uma programação desenhada. E na maioria das vezes por quem? Por nos arquitetos!

Estou falando de uma falta de liberdade, de uma cidade disciplinar. E são nesses exercícios muitas vezes simples e despretensiosos que fica claro nosso repertório disciplinar, até mesmo quando tentamos pensar livremente o deleite, o prazer, o nada fazer!

O artista Robert Smithson define bem a idéia de parque, aponta precisamente um pensamento muito recorrente em projeto de parques como idéia cênica e pintura, ideal de perfeição.

“Objetos em um parque sugerem repouso estático em vez de qualquer dialética permanente. Parques são paisagens para a arte final. Um parque carrega os valores do final, o absoluto e sagrado. A dialética não tem nada a ver com essas coisas. Estou a falar de uma dialética da natureza que interage com as contradições inerentes às forças físicas naturais como elas são - a natureza como os de sol e de tempestade. Os parques são idealizações da natureza, mas a natureza na verdade não é uma condição do ideal. A natureza não procede em uma linha reta, ele é sim um desenvolvimento alastrando. A natureza nunca está terminada. Ao finalizar a obra de escultura século 20 é colocado em um jardim do século 18, ela é absorvida pela representação ideal do passado, reforçando assim os valores políticos e sociais que não estão mais conosco. Muitos parques e jardins são recriações do paraíso perdido ou Éden, e não os sites dialética do presente. Parques e jardins são ilustradas na sua origem - de paisagens criadas com materiais naturais em vez de pintar. Os ideais cênica que cercam até mesmo os nossos parques nacionais são portadores de uma nostalgia de calma bem-aventurança celestial e eterna. “

Da mesma maneira que a natureza não procede em linha reta, nosso comportamento também não. Pensar que a natureza ainda não está terminada também nos faz pensar numa paisagem que pode conter nela o descontrole, e talvez aí esteja a potencia para se pensar parque urbanos, como espaços de deleite, prazer, liberdade e encontros.

Tivemos muitas propostas; desde se pensar uma praia no parque municipal, até a Praça Raul Soares como modelo ideal de parque urbano. O que está por trás disto?
Cada estudante após todas as apresentações consegue visualizar o potencial ou não de cada proposta?
Que tipo de passo conseguimos dar pensando uma organização da Avenida Bernardo Monteiro a partir de mobiliários? Há um desdobramento ou potencial nessa proposta?
E a proposta de equipamentos para o gramado da Boa Viagem? Terá esses equipamentos algo que consiga avançar com nossas experiências espaciais de confinamento em nossos constantes 70m²? Porque são estruturas fechadas? Porque um desenho tão próximo das residências?
Ocupar lotes e rotatórias do centro de Belo Horizonte a princípio parece uma tática para aerar um espaço já tão adensado. Mas porque aerar desocupando? Será possível pensar a partir das falhas das cidades? Dos resquícios? Assim talvez estaremos mais próximos de uma outra maneira de pensar a cidade, por realidades e realizável!

Tobogã do Contorno é uma boa proposta para começar a finalizar essas breves considerações, é uma proposta que tenta um caminho paralelo; o vídeo como outro suporte com outras respostas espaciais. Entre as livres movimentações e flutuações; onde elas poderiam estar?
Serão flutuações programadas?


Cada proposta de certa forma consegue trazer algo novo, algum desejo de romper com nossos ideais já desenhados. Claro que não foi detalhado aqui minuciosamente cada proposta, o que interessa é o que é potencial na proposta: seja na dúvida, questionamento, qualidade, ou seja para podermos pensar num desenvolvimento diverso, dos muitos olhares sobre o mesmo tema.